Cristiano Eloi, do site newtrade.com.br
25/05/2011
A descentralização, a interiorização e a regionalização da economia - que fez com que outras regiões fora do tradicional eixo Sudeste/Sul crescessem e tomassem importância como no Nordeste, Centro-Oeste e Norte – contribuíram para que as empresas atacadistas distribuidoras regionais fossem um dos destaques do Ranking ABAD/Nielsen 2011 (ano-base 2010). Com isto, as empresas que operam no sistema de atacado regional ganharam força sobre as empresas que atuam nacionalmente.
"Operar nacionalmente é mais complicado. Uma empresa nacional que opere regionalmente pode ser uma boa solução, mas a tendência da indústria é trabalhar com agentes de distribuição regional fortes com bom portfólio de serviços que vão além de apenas vender e entregar. Além disso, as barreiras tributárias muitas vezes complicam muito a operação de empresas que atual nacionalmente, mesmo através de CDs e de filiadas regionais", afirma Carlos Eduardo Severini, presidente da ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores.
As empresas podem crescer muito regionalmente, atendendo melhor o varejo local ao prestar um melhor serviço para a indústria que busca parceiros fortes regionalmente e que realizam um melhor trabalho de atendimento, de distribuição e de cobrança. Já o desafio dos atacadistas nacionais não é diferente de o de qualquer outra grande empresa nacional, cujas dificuldades de operar fora das regiões em que eles dominam com facilidade são as mesmas em todos os lugares. No geral, as companhias nacionais se defrontam com uma operação complexa, com regras amplas e orientadas pela matriz, custos mais elevados e tomadas de decisões, que acontecem de maneira mais lenta do que a das empresas instaladas na localidade atendida.
"O sujeito que está perto pode tomar decisões rápidas, pois ele conhece o cliente e tem custo muito menor porque a sua empresa é menor. Você estar mais próximo do local em que tem de atender é mais barato do que você fazer grandes deslocamentos. As estradas no Brasil são ruins, os custos dos transportes são elevados, enfim, existe uma série de fatores que atrapalham a operação", diz Nelson Barrizzelli, economista e professor da FEA – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP – Universidade de São Paulo.
Aliás, esta vantagem competitiva observada no modelo de empresa regional é a mesma razão pela qual o pequeno e o médio varejista conseguem competir com as lojas das grandes redes varejistas de igual para igual e, às vezes, de uma maneira muito melhor na região em que o estabelecimento está instalado. O grande desafio das empresas maiores é o de conseguir desenvolver um modelo de operação que seja flexível com que o mercado espera dela. "A grande é inflexível, tem um gerente, trata todo mundo de forma homogênea, segue as regras da matriz, enquanto o pequeno varejista está na loja. Se ele for esperto, conversa, conhece os clientes, muda o sortimento, se ajusta e se acerta", afirma Barrizzelli.
Fonte: Newtrade
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